quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Crias

"Filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los como sabê-los?" Vinícius de Moraes
André e Gabriel, com dez anos de diferença entre uma foto e outra.

"És um senhor tão bonito, quanto a cara dos meus filhos,
tempo, tempo, tempo, tempo...
vou te fazer um pedido
compositor dos destinos
tambor de todos os ritmos
que ainda sejas mais vivo
no movimento preciso
quando o tempo for propicio
de modo que meu espírito
ganhe um brilho definido
e eu espalhe benefícios
tempo,tempo,tempo,tempo...."
Caetano Veloso

terça-feira, 2 de outubro de 2007

COEPI

Iniciei minha história na COEPI em 1998, antes da construção de sua sede, com o projeto "Reciclar é fazer ficar novo de novo" desenvolvido na escola Estadual Santo Agostinho. Em seguida emplaquei o projeto "Com mão na máscara" de resgate das máscaras das Cavalhadas e fui enfiando cada vez mais a mão, o pé, a cabeça e a alma na Comunidade. De 2000 a 2002, como diretora executiva, fui aprendendo na marra a girar a engrenagem administrativa, muitos projetos, editais, parcerias... ao mesmo tempo oficinas, festas e trocas intensas. Adotei esse espaço como projeto de vida. Acompanhar a construção de cada sala de aula num terreno árido e ver hoje as árvores crescidas e os jardins floridos é uma emoção muito grande. Maior ainda é ver algumas sementes que aguamos ainda crianças e que hoje florescem como jovens engajados em ações sócioambientais, nas artes e na própria vida.

Banda Larga

Conheço Mariângela há bastante tempo, mas demoramos a descobrir que nossas vozes se davam tão bem. Em 2005 começamos nos reunindo numa brincadeira de professores da COEPI para fazer um som na sala de informática (dai o nome Banda Larga) e de repente a coisa foi se afinando de tal forma que deu em samba. Os acompanhantes foram entrando e saindo mas nosso duo ficou cada vez mais sintonizado, não só nas vozes complementares mas também no repertório e nos acordes do violão. Paraná super contrabaixista e Thiago Gomes na percussão têm nos acompanhado nas noites pirenopolinas.

Mautner e Jacobina


Em novembro de 2006 tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Jorge Mautner e Nelson Jacobina. Em turnê pelos Pontos de Cultura com aulas-espetáculo, a dupla do Kaos se apresentou no Teatro de Pirenópolis com a participação dos alunos da oficina de Teatro da COEPI declamando trechos de poesias do próprio Mautner, dos alunos do grupo de catira e da Banda Larga, que fez um interminável Maracatu Atômico com solos de flauta com João Amorim, de guitarra com Naruh Payne, de percussão com Thiago Gomes e João Triers, de baixo com Filipe e nos vocais eu e Mariângela.

Cavalhadas de Pirenópolis





Em 2003, participei da produção de arte do curta metragem "Cavalhadas de Pirenópolis" de Roger Mello com direção de Adolfo Lachtermacher - mais uma parceria "a Bela e a Vera". Objetos de cena, figurinos, mascaras, carcara, contratempos, correria, tudo junto nessa nova experiencia, mas valeu a pena porque o filme ficou lindo!
Catarina Accioly fez a preparação do elenco infantil pirenopolino: Jéssica Ludmilla e João Mamedes.

Rádio Jornal Meia Ponte

Nas Ondas da Rádia
De 2004 a 2006 apresentei o programa semanal da COEPI na Rádio comunitária de Pirenópolis, onde contava histórias, lia poesias, apresentava artigos sobre educação, meio ambiente, entrevistas e muita música boa. Hoje a Vera apresenta o programa com a participação do Coletivo Jovem de Meio Ambiente. Bom que Pirenópolis tem um canal de comunicação aberto, pena que a maioria dos programas ainda reproduz o batidão das rádios comerciais.

Presépios


Tem presépio?
Em 2002, inspirada nos presépios de Seo Ico, eu e Vera confeccionamos um presépio de papel em tamanho natural para exposição em Brasília. Em 2004 repeti a dose, só que em tamanho menor e sem nenhuma pintura. Todo o acabamento em cores foi feito de combinações de revistas e jornais. No lugar de carneirinhos e vaquinhas... ema, tatu, e anta, inspirados no Cerrado. A obra me rendeu o 1º lugar no concurso de presépios de Piri.

Zambê


Tocando violão, percussão e rodando a saia, participei da formação do grupo Zambê - de ritmos e danças populares, com Cristina Campos, Daraina Pregnolatto, Celso Leal e Noel Carvalho. Foi minha iniciação na cultura popular entre 1999 e 2000.

Seo Ico


Dança Maricotinha

Seo Ico era sineiro e presepeiro, fazia um presépio grandioso em sua casa todo fim de ano e aprontava presepadas ao longo do ano todo. Algumas delas comigo. Fazíamos um quadro no Teatro para receber grupos de escolas, onde eu fazia papel de sua irmã mais velha e juntos contávamos como era a cidade, o teatro, o cinema e as brincadeiras no "nosso" tempo de infância. Com ele aprendi também a história do Espelho, que virou minha carta de apresentação. Saudades...
"Dança Maricotinha, eu não sei dançar
Pega na mão dela, que ela dança já."

Conhecer para Preservar



Em 1998 e 1999 participei do projeto "Conhecer para Preservar" do IPHAN, voltado para conscientização de alunos da rede pública de Pirenópolis sobre patrimônio material e imaterial. No primeiro ano trabalhamos a parte arquitetônica da cidade, onde além de passeios de campo, os alunos assistiam a uma peça tetral sobre o tema com Vera Lucena, Mariêngela Abreu, Dona Benta e Seo Ico. No segundo ano eu e Seo Ico trabalhamos o patrimônio imaterial com o resgate de brinquedos e brincadeiras populares tradicionais de Goiás.

Porta bandeira


Porta bandeira do Bloco Urgente Reciclar
1998 e 1999

Nunca havia pensado em ser porta bandeira. O luxo e a elegância das "autênticas" nas escolas de samba não combina nada comigo. Quando recebi o convite para desfilar no Bloco Urgente Reciclar levei na brincadeira, mas comecei a viajar na confecção das fantasias de sucata - mais a minha praia - e quando vi já estava totalmente envolvida. O santo baixou e me senti na própria Marquês de Sapucaí.

Bloco Urgente Reciclar


Entre 1998 e 2004 participei da criação de fantasias e adereços feitos com sucata junto com Vera Lucena para o Bloco Urgente Reciclar. Aí teve início uma grande parceria "A Bela e a Vera". Num delírio de compositora fiz também um sambinha para o primeiro ano do desfile:

Ó Pirenópolis quanta emoção
por suas ruas andar livre e respirar
sentir o cheiro de ar puro e tradição
voltar ao tempo do sinhô e da sinhá
Quando Manuel aqui chegou
Botou o índio pra correr
Tirou o ouro e mandou pra Portugal
Mas Meia Ponte fez questão de florescer
Vou contar prá você
Joaquim Alves de Oliveira
Com a Babilônia, a Imprensa e o Capital
Mostrou ao povo a importância do saber
e acendeu a chama desse carnaval

Capacitação professores

Oficinas para professores da rede pública, 1994

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Com a mão na Máscara





Curucucu
Assim que cheguei em Pirenópolis me apaixonei pelos mascarados, essa figura irreverente, alegre e colorida da Festa das Cavalhadas, mas a cada ano percebi o uso das máscaras tradicionais de papel diminuindo. Em 1995 organizei com apoio da secretaria de cultura um concurso de mascarados, tentando estimular sua utilização. Em 1997 iniciei o projeto "Com a mão na máscara" ensinando alunos das escolas públicas a fabricarem suas próprias. Até hoje incentivamos e trabalhamos a importância desse aprendizado na COEPI.

Cerrado Ecoturismo

Estudos de campo
Entre 1994 e 2002 mantivemos uma empresa de ecoturismo, operando basicamente com grupos escolares de Brasília para Pirenópolis. As excursões tinham caráter educativo e eu fazia várias interferências para que a programação não ficasse igual a um passeio escolar tradicional. Na chegada recebia as turmas tocando pandeiro e cantando um repente de boas vindas. No Museu da Cavalhadas, para susto dos alunos, mascarados adentravam fazendo algazarra. No Teatro fazia uma encenação em parceria com Seo Ico sobre patrimônio histórico. No Museu da família Pompeu simulava a utilização da bateia para retirada de ouro e assim por diante. Na parte da tarde os grupos seguiam com Rogério para as áreas rurais no entorno da cidade. O trabalho era bastante rico, mas o envolvimento com a COEPI foi tomando cada vez meu tempo e meu coração. A conciliação ficou impossível. Abandonei a empresária e fiquei com a educadora.

Viagem pelo Brasil









Em 1992 eu e Rogério vendemos tudo que tínhamos ganhado de casamento, compramos duas grandes mochilas e botamos o pé na estrada pelo Brasil. Começamos pelo litoral sul de São Paulo fazendo uma lenta descida pela Jureia, ilha do Cardoso, Cananéia, Iguape, atravessando o Paraná: Vila Velha, Ponta Grossa, Curitiba, Antonina, Morretes e em Santa Catarina: Joinvile, Blumenau e Floripa, onde chegamos a comprar um terreno e quase aportamos de vez, mas surtados com o frio (e com os argentinos, rs) pegamos um vôo direto para as praias de Fortaleza. Conhecemos Ubajara, no interior do Ceará, cidade dos meus avós maternos, nos reencontramos com o amigo Lula em sua comunidade alternativa de praia "Kafua" e depois partimos para uma temporada de 6 meses em Natal, RN. Moramos em Ponta Negra e com uma barraca de praia ambulante - a Kombi "Nativa Terra" - rodamos todo aquele deslumbrante litoral até João Pessoa. Neste nordeste ensolarado foi gerado o Gabriel e os ares do Planalto acabaram nos chamando de volta, depois de um ano, pelo caminho mais comprido de Brasilia à Pirenópolis.

CIAC

CIAC 1991

Minha primeira experiência em sala de aula no Centro Integrado de Apoio a Criança e Adolescente, Paranoá. Bom começo sob orientação da saudosa professora Helena Barcellos. A estrutura física era novinha, inspirada no sonho de Darcy Ribeiro, mas a prática...

Formatura UnB



Universidade de Brasília - 1991

Deixando a beca de lado, Simone, eu e Lourdes optamos por um figurino mais descontraído para nossa formatura em Educação Artística. De chapéu e luvinhas básicos, fui a oradora da turma.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Pedra do Bisnau

Pedra do Bisnau

Em 1990 participei da excursão à Pedra do Bisnau - Formosa, GO - com o mestre Milton Cabral. Sob a enorme superfície rupestre pudemos mapear, desenhar e registrar em vídeo as antigas gravações em baixo relevo. É impressionante a quantidade de desenhos, a simetria das formas, em sua maioria circulares, e a própria execução sobre a pedra, sabe-se lá com que ferramentas. A visita nos inspirou a fazer vários trabalhos posteriores sobre o Bisnau. No fim do semestre coordenei uma grande exposição no Instituto de Artes reunindo esses trabalhos e de todas as outras disciplinas na Expo Ida.

Liga Tripa


"Meu coração tem um desejo imenso
de ver o dia nascer pelo avesso"
Liga Tripa, 1989
com Toninho, Aldo, Duboc e Fino
"No meio de quadras, dentro dos bares, vamos nós a cantar..."
Acompanhei muitas ligadas pelas ruas de Brasília na minha adolescência e de fã virei integrante do grupo por um curto período, assim como outras almas femininas anteriores.
Participei de apresentações no circo teatro Udi Grudi, no FLAAC - Festival Latino Americano de Arte e Cultura - UnB e da gravação do disco em homenagem aos 30 anos de Brasilia.
Tocando o "Negão" - contrabaixo africano.